Com um 1.9 habitantes por km2,
uma das menores densidades populacionais do mundo, o Sahara Ocidental é um lugar
em que a distância entre as povoações se conta, em quilómetros, com algarismos
de três dígitos. Quem atravessa este país pela primeira vez, fica com a
sensação de que o mesmo não é mais do que uma solitária e interminável estrada
galgada por uma terra estéril que liga alguns entrepostos onde os homens se
parecem ter refugiado da natureza agreste.
Nada mais errado: o deserto é
venerado pelo povo saharawi. É aí que se encontram os pastores de camelos, é
dele que se retiram os minérios que fazem a sua riqueza e é até no deserto – na
costa – que se sedentarizaram comunidades de pescadores.
Um destes entrepostos é Boujdour,
conhecido dos portugueses por Cabo Bojador, dobrado por Gil Eanes 1434. Não devido
a este feito antigo, não será difícil encontrar em Boujdour, como noutros
lugares desta terra lunar, sinais benfiquistas. Três dígitos é um número normal
de canais de televisão neste lugar! Foi, aliás, numa cidade do Sahara Ocidental
que uma vez nos fizeram uma descrição acurada do grafismo de ícones antigos da
RTP 1!
Mas esta memória-zapping revela outro segredo sobre este lugar: o Sahara
Ocidental está ocupado por Marrocos desde 75-76 e a sua população vive sob o
jugo ditatorial deste país e uma vigilância apertada do seu quotidiano pela
polícia e exército. A televisão e a internet tornaram-se assim meios
fundamentais de preservação de uma ligação ao mundo exterior e de enfrentar o
isolamento.
Em Agosto próximos
contar-vos-emos muito mais sobre este povo desconhecido e fascinante.
Francisco Leitão escreveu sobre o Sahara Ocidental em http://pelo-caminho-estreito.blogspot.pt/2009/02/estrada.html
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