quinta-feira, 3 de maio de 2012


Banjul, a capital da Gâmbia, é uma cidade de cores, sons e emoções à flor-da-pele. De vez em quando, somos interceptados por um jipe em cima do qual dançam quatro rastamans que gritam “This is second Jamaica” (esta é a segunda Jamaica!).
Têm presente aqueles panfletos que se distribuem no metro de Arroios ou do Cais do Sodré anunciando curandeiros africanos que curam tudo, dos joanetes ao desemprego? Aqui, estes feiticeiros estão em cada esquina: chamam-nos para dentro de suas casas para experimentarmos os seus gri-gris (amuletos) e as suas bolas de ervas mágicas – “esta retira-te 20% dos teus problemas”, grita um!
Há gente por todo lado, e que gente! Vivem aqui etnias africanas muito altas. O Jardel e o Luisão aqui sentir-se-iam uns meias-lecas. Nas ruas, é preciso ziguezaguear o corpo para escapar aos rabos sólidos de umas mulheres de um metro e noventa.
Mas, sobretudo, o que parece distinguir os gambianos de outros povos circundantes é a indiscritível propensão que parecem ter para conversar! Para conversar? Sim, exactamente. Aqui, sair à rua para ir a uma mercearia pode levar uma manhã inteira por causa das conversas que se entabulam entretanto. E o problema é que são magnéticas: ou seja, pouco depois de se pararmos na rua para falar com alguém que nos interpela, logo outro se junta, e depois outro e depois outro, até que nos arriscamos a que toda a cidade fique parada à nossa volta numa animada cavaqueira: é que como os gambianos gostam tanto de conversar, conhecem-se todos!
A Gâmbia deveria ser o país oficial do bate-papo. Os psicólogos na europa deveriam prescrever férias na Gâmbia para os solitários e os anti-sociais. O Rui Santos aqui é apenas um tipo normal.
Preparem-se, tirem dias de férias: daqui sairão com certeza uns maravilhosos podcasts de várias horas a falarmos do Benfica.

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