Banjul, a capital da Gâmbia, é uma cidade de cores,
sons e emoções à flor-da-pele. De vez em quando, somos interceptados por um
jipe em cima do qual dançam quatro rastamans
que gritam “This is second Jamaica” (esta é a segunda Jamaica!).
Têm presente aqueles panfletos que se distribuem no
metro de Arroios ou do Cais do Sodré anunciando curandeiros africanos que curam
tudo, dos joanetes ao desemprego? Aqui, estes feiticeiros estão em cada
esquina: chamam-nos para dentro de suas casas para experimentarmos os seus
gri-gris (amuletos) e as suas bolas de ervas mágicas – “esta retira-te 20% dos
teus problemas”, grita um!
Há gente por todo lado, e que gente! Vivem aqui etnias
africanas muito altas. O Jardel e o Luisão aqui sentir-se-iam uns meias-lecas. Nas
ruas, é preciso ziguezaguear o corpo para escapar aos rabos sólidos de umas
mulheres de um metro e noventa.
Mas, sobretudo, o que parece distinguir os gambianos
de outros povos circundantes é a indiscritível propensão que parecem ter para
conversar! Para conversar? Sim, exactamente. Aqui, sair à rua para ir a uma
mercearia pode levar uma manhã inteira por causa das conversas que se entabulam
entretanto. E o problema é que são magnéticas: ou seja, pouco depois de se
pararmos na rua para falar com alguém que nos interpela, logo outro se junta, e
depois outro e depois outro, até que nos arriscamos a que toda a cidade fique
parada à nossa volta numa animada cavaqueira: é que como os gambianos gostam
tanto de conversar, conhecem-se todos!
A Gâmbia deveria ser o país oficial do bate-papo. Os
psicólogos na europa deveriam prescrever férias na Gâmbia para os solitários e
os anti-sociais. O Rui Santos aqui é apenas um tipo normal.
Preparem-se, tirem dias de férias: daqui sairão com
certeza uns maravilhosos podcasts de
várias horas a falarmos do Benfica.

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