Há um tipo numa mota indiana, a atravessar um enorme charco por cima de umas tábuas, ali colocadas para o efeito, que cai à água. Isto redobra a atenção que temos que ter à estrada.
Mal ultrapassamos o charco, penetramos numa aldeia onde um pastor vedou completamente a estrada com uma muralha de rabos de vacas. Paramos e somos assaltados por um enxame de mulheres a vender laranjas.
Quando ultrapassamos a aldeia, passamos numa zona onde centenas de crianças jogam à bola, em campos que se sucedem uns aos outros, em ambos os lados da estrada. Outras crianças correm ao nosso lado, empurrando e guiando pneus com arames.
Por cima de nós, entre as copas das árvores que cerram o céu, saltam vultos, provavelmente macacos.
O que é que isto tem de especial? Nada: exceptuando alguns detalhes, poderia ser em qualquer país do mundo. Um dos objectivos desta viagem será o de revelar gestos simples, acontecimentos normais do quotidiano, enfim, todas essas pequenas coisas que tornam os homens tão próximos uns dos outros, que lhes permitem reconhecer-se no comportamento de um estrangeiro ou numa paisagem longínqua.
Porquê? Numa altura em que as fobias das migrações aumentam e a extrema-direita sobe em toda a Europa nas intenções de voto, é necessário que todos nós façamos um esforço para nos relembrarmos do essencial: que somos todos iguais.
A tradição democrática e plural do Benfica sempre esteve em harmonia com a defesa da diversidade. O Benfica nunca foi um clube de uma região, de uma classe social ou de uma raça. A sua maior estrela é, afinal de contas, africana. É também por estas razões que achamos que este projecto faz sentido.

%E2%80%9D.jpg)



